May 31, 2012

Hélène Amouzou was born in Togo but has been living and working in Brussels for a while now. Some years ago, she took up photography. The results are self-portraits taken “mostly in her attic”.

Hélène Amouzou was born in Togo but has been living and working in Brussels for a while now. Some years ago, she took up photography. The results are self-portraits taken “mostly in her attic”.

(Source: ladyfresh, via acarro)

May 31, 2012
Apr 3, 2012

Ainda não entendo nada. Pior, entendo menos ainda. Melhor. Antes tinha a soberba de saber ou almejar certezas. Hoje sei que há esses pontos de repouso, casas de um segundo, mas nada é, tudo vai e é só essa tentativa-caminho. Não perco minha bagagem, essa opção não existe. Mas tiro o eu da cara quando é possível. Preciso respirar. Esse turbilhão de transmutações em que me virei para existir, esse movimento desprotegido, ele me devorou. Não guardei nada, não tive espírito crítico, nem pé atrás. Estou devastada. Ruínas sobre ruínas. Nenhuma construção ficou de pé, mas devo caminhar carregando todos os escombros. Hoje não há limite. Após a última estadia, a contaminação daquele mar vermelho, rompeu minha crença.  Hoje universo e mundo são águas misturadas. A minha história é toda  a história em mais uma vertente. Enfim não quero a solução. Transito nesse mundo de graça de busca de sextas aflitas e desejos, mas reverto a linha e vou parar no silêncio de ser carne nua de tempo e querer. Me dizem para escolher, a indecisão não me permiti pertencer. Mas não sou como eles que conseguem esquecer que sempre estão lá e cá. Nunca abandono totalmente minha preciosidade.  Vez ou outra cometo gafes e calamidades por não abrir mão de mim. No entanto também me recuso a ceder minha participação na roda.  É muito mais difícil viver na fronteira. E é a minha delícia. 

Mar 31, 2012
Os personagens principais (Horacio Oliveira, Johnny Carter, Medrano, Persio, Morelli, Alina Reyes, Roberto Michel, etc) são, por isso mesmo,de diferentes modos, perseguidores. Na verdade, também o autor o é. E a narrativa envolve na fábula recorrente de uma busca incessante. Caracteriza os perseguidores uma oposição fundamental com relação ao mundo em que lhes é dado viver, um mundo frafmentado, e sem sentido, o mundo absurdo a que tantas se referirá Horacio Oliveira, em Rayeula. Não podem aceitá-lo, pois nele se sentem desraigados e divididos, perdidos de si mesmos. Padecem o sentimento da “perda da totalidade”, da “essência universal do homem”, em que para Marx, consiste a alienação. São assim, rebeldes em face do que se torna habitualmente por realidade. A narrativa se propõe a desmascarar essa aparência, transformando-se numa indagação metafísica, numa busca do ser, na ânsia do real absoluto, que marca o misticismo sem deus de vários dos personagens, sequiosos de um céu no mesmo plano da terra em que pisam.
O Escorpião Encalacrado. 
Feb 17, 2012
Feb 17, 2012

The archaic lonely star blues

Me invento mais ou menos assim:

rasgo gavetas

impero planos perfeitos

recrio a ordem, traio meu santo

agarro os pés de Apolo

convicta

creio, obedeço

como se fosse planeta das idéias

esqueço

suor, imprevisto, meu ego, o erro.

Então, desenfreio

Incontida, cedo

vapor da lua, desejo, cidade, qualquer um, minha pele e Encanto.

muito menos e tão mais

ou nem tanto.

contrario e acerto, mas o acerto

escapa

qualquer coisa que falha.

                                                 impasse entre meus astros

ou o eterno desacordo, imagem & fato?

(metafísica, me amarro em simulacros;

transver fome em flor

desdobrar esbarrão em encontro

Os impulsos urgem contagiados de sopro

caso perdido, beatifico o contaminável

sagrado pra mim é o poro.)

Respondo e entendo: ser sem caimento a se inventar como se não houvesse paredes.

                                                    tudo mais que certo

não fosse o mundo (e sua obsessão por cimento)

Explicito:

não há fôlego pra equilíbrios, percorro extremo

fúria, som e desperdício

nunca um paralelepípedo me deu bom dia

e no entanto.

Feb 11, 2012

O desequilíbrio causado pelo excesso da bile negra torna o melancólico propenso a ser, “quase no mesmo instante muito quente e muito frio”. Mas é essa mesma possibilidade (que ele não escolheu) de habitar extremos que torna o melancólico aberto à criação poética. Ou seja: a “tornar-se outro”…

(Maria Rita Kehl)

Feb 11, 2012
Feb 11, 2012

circuito por um fio.

Prece das coisas mínimas:
minha vista já foi três mil em um só dia
por aqui se inflou o mormaço, a tempestade e a tua ilusão precisa
exausta mas de pé recorro ao sofá pra acompanhar os pássaros acessíveis no décimo quinto andar
entre os passos, a casa sobre as costas se ordena apenas por um som.

Sei que é difícil engolir a cidade
mas só vivo disto
espaço disposto pra exercer toda multidão que me desocupa
se teu eixo é o azul dos campos
não importa
corremos e meandramos no mesmo
paralisia de vertigem:
Na cara náufragos de rabiscos, batons vermelhos, orientação sexual, CPF, instituição de ensino:
O eu-mesmo embrulhado por dentro
parte do amontoado das escolhas nunca-já escolhidas
por fora, só esse resto 
só esse resto que parece a origem
por fora, nós vazados 
sem caimento
um esqueleto de janelas

tento me equilibrar no circuito e me derramo todos os dias
por um fio não me faço oferenda
por um fio não concluo o círculo

por todas as veias, ainda ir

descobrir a pele da língua
ouvir placas tectônicas
ser um ponto de carne no meio do oceano
só por um instante
um instante nulo de querer
surdez de útero
ruído de todo o tempo
apenas ver
redenção da ignorância dos nomes

depois
quando voltar a língua a casa os ombros o borrão e a cara
serei eu
convivendo astuta com o nada
assim atravesso espelhos
permaneço na história
e sem pudor
experimento outros

Feb 10, 2012
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inspirado no projeto de Adelaide Ivanova:
http://vodcabarata.blogspot.com/2010/10/estrangeira-em-toda-parte-desde-pequena.html Subscribe via RSS.